Sandor Ferenczi
· Quienes somos · Contacto · Libro de Visitas · Sucripción Newsleter ·
-
Indepsi
Su Vida
Biografia
Línea de Vida
Galería Fotografías
Su relación con....
Epistolario
Literatura
Bibliografia
Artículos
Revisiones
Publicaciones
Fichas Ferenczianas
Psicología Bioanalítica
Tópicas Ferenczianas
Glosario Ferencziano
Escritos Bioanalíticos
Notas sobre Bioanálisis
Investigación Bibliográfica
Material de Investigación
Citas Ferenczianas
Citando a Ferenczi
Material Gráfico
Denostaciones
Vinculaciones Ferenczianas
Ferenczi/Freud
Pares y Discípulos
Psicoanalistas Afines
Vinculos
Estudiosos de Ferenczi
Ferenczi en la Red
Noticias
Busqueda

Estadisticas

Miembros de la
Sándor Ferenczi Society
Budapest, Hungria

Sándor Ferenczi Institute Nueva York, U.S.A.

 

Artículos sobre Ferenczi:

 

O TRAUMA.

 

(trechos extraídos do capítulo II do livro de Teresa Pinheiro, "Ferenczi: do grito à palavra" Rio de

Janeiro, Jorge Zahar Ed. UFRJ, 1995).

 

A Linguagem da Paixão e a Linguagem da Ternura

O Desmentido e a Clivagem Traumática

A Comoção Psíquica e a Alucinação Negativa

 

(...) A marca registrada da teoria do trauma ferencziano, assim como a sua originalidade, é atribuir ao desmentido toda a responsabilidade do trauma . O desmentido é aquilo que impede o percurso do processo de introjeção, conceito postulado por Ferenczi em 1909 e que segundo ele, é a única coisa que a libido sabe fazer.(Ferenczi, S.,"Transferência e Introjeção", in Psicanálise I).

A criança só pode ter uma palavra própria quando intermediada pelo adulto. Num primeiro tempo ela emprestada as palavras ao adulto e simultaneamente é a este que ela dirigirá sua palavra para obter uma confirmação. Este vaivém é condição imprescindível para que a criança conquiste sua própria palavra. É portanto por intermédio do adulto (suporte da introjeção) que a fala da criança pode ou não ter sua existência autorizada.

É fácil compreender que para Ferenczi o problema deve ser visto pelo viés do adulto, do interlocutor da criança, e não pelo viés desta última. Segundo ele, deve-se analisar o problema pelo lado do adulto para se compreender a origem do trauma.

O acontecimento do trauma pode ser relatado pela criança antes de ser desmentida. Ela não compreendeu muito bem o ocorrido, porque não tem a percepção daquilo que se passou. No exemplo dado por Ferenczi, o adulto vai ouvir o relato da criança como se tratasse de uma ficção e não de um acontecimento real.

Se tudo indica que Ferenczi acerta o alvo ao afirmar que o desmentido é o fator essencialmente traumático e desestructurante, parece, no entanto, que ele se perde na justificativa de justificá-lo. A confusão que cria começa em sua abordagem, que coloca de um lado a verdade e do outro a mentira, atrelando-as respectivamente ao fato real e à fabulação.

Assim, se prestarmos atenção, encontraremos em vários textos de Ferenczi, situados em posições expostas e estanques, de um lado o fato real e a verdade, e, de outro, a mentira e a fabulação. Dessa forma, o fato real está para a verdade assim como a fabulação está para a mentira. Ao separar os dois blocos com conotações diferentes e de forma maniqueísta, teremos a facção do bem e a facção do mal. Dessa maneira fica impossível dar um passo à frente. O tiro parece ter saído pela culatra.

Para Ferenczi é preciso que o fato seja real para que o desmentido tenha força da Verwerfung (recusa de inscrição). Entretanto, sabemos, e Ferenczi também que a questão da realidade se perde ou tem valor muito relativo quando lidamos com o psiquismo. O que importa é a realidade psíquica. O registro psíquico é feito tanto de eventos reais quanto de fantasmados; os dois terão o mesmo valor psíquico. Este foi, sem dúvida, o salto dado por Freud quando abandonou a etiologia da histeria fundamentada no evento traumático - uma sedução - efetivamente ocorrido na infância. Se não importa o fato ser real ou fantasiado, como pode o desmentido se manter de pé como fator essencialmente traumático?.

Vejamos agora a questão da verdade e da mentira, também muitas vezes ligadas, no texto ferencziano, à sinceridade e à hipocrisia.

Ao colocar a verdade e a mentira como diametralmente opostas e sem possibilidade de encontro entre si, Ferenczi incorre na mesma síndrome que parece ter atingido o adulto que desmente, pois ele aponta para a univocidade dos enunciados, quer dizer, para a ausência de polissemia neles. Nenhuma verdade pode ser eterna e não se tornar mentira num determinado momento ou dentro de um dado contexto. Por mais que se pretenda uma verdade absoluta e unívoca, esse intento estará sempre fadado ao fracasso, pois as palavras que compões o enunciado tornaram-se necessariamente ambíguas e de múltiplos sentidos. A sinceridade, portanto, nada mais é do que a aceitação da polissemia e a impossibilidade do unívoco, e a hipocrisia implicaria a negação disso.

Colocado de outra forma, pouco importa se o fato é real ou não. Já a relação entre a verdade e a mentira nos leva, obrigatoriamente, a perguntar de que lugar fala o adulto que desmente a criança.

Poderíamos concluir que a história contada pela criança ao adulto é traumática antes de mais nada para o adulto que, incapaz de absorvê-la, relega-a ao plano da mentira. Opondo assim, de forma radical, de um lado o fato real e a verdade, e de outro a mentira e a fabulação, o adulto rouba à fala da criança o sentido ambíguo das palavras, sua polissemia, encarcerando-as na univocidade. Resta à criança engolir esta palavra de sentido unívoco e desprovida de ambigüidade. Palavras cristalizadas, radicalmente proibidas de serem pronunciadas e, portanto, de circularem livremente (...).

O que se passa no trauma é que o adulto interdita à criança não apenas as palavras, como também a possibilidade de ambigüidade, de múltiplos sentidos. São palavras destinadas a ficarem enclausuradas, desprovidas de polissemia, tornando-se representações proibidas de fantasmatização e para retomar a expressão escolhida por N. Abraham e M. Torok, são de alguma forma, "palavras enterradas vivas". (...).

Diante do desmentido a criança ficará confusa. Será o adulto ou será ela que não merece confiança ? A criança processa essa questão rapidamente, "incorporando" o sentimento de culpa do agressor, tornando-se clivada, culpada e inocente ao mesmo tempo. É mais seguro aceitar o sentimento de culpa do que abrir mão do objeto da introjeção. Podemos perceber bem que perder o objeto nesse momento equivale ao risco de aniquilamento, de despedaçamento psíquico.

O que a criança entrevê é o risco da morte física e psíquica. Resta então garantir a permanência do objeto a qualquer preço. A criança encontra a solução de transplantar o sentimento de culpa do agressor para si próprio, suportar a injustiça do desmentido e com isso recuperar o estado de ternura anterior ao trauma. Para o traumatizado de Ferenczi serão importantes, evidentemente, questões como a confiança, a justiça e as noções de verdade e mentira.

(...) Na literatura psicanalítica, sobretudo a de seus pioneiros, encontraremos o termo clivagem para designar cisões no aparelho psíquico. Os moldes , funções e natureza das clivagens podem ser bastante diversos (ou seja obedecem a metapsicologias diversas). O único ponto em comum parece ser o fato de que ocorre uma divisão. Assim ela pode designar separações entre os sistemas ICS e PCS/CS, ou também entre as instâncias do aparato egóico quando da sua emergência, por exemplo. Ou pode ainda designar uma separação dentro do próprio ego, como é o caso da melancolia, em que a identificação com o objeto perdido é resultado de uma cisão ou clivagem. Os exemplos nada têm em comum nas suas descrições metapsicológicas.

A clivagem do trauma, fruto do desmentido, estaria mais próxima da descrição metapsicológica da melancolia. Se, no entanto, percorrermos a obra de Ferenczi, verificaremos que o termo clivagem é inicialmente encontrado para designar a metapsicologia da estruturação do aparato egóico (Ferenczi, S.,"Thalassa, essai sur la théorie de la génitalité"). Está portanto, diretamente vinculado ao trauma estruturante. Só mais tarde surgirá ligado à noção da identificação com o agressor. É só nesse caso, como já vimos, será um trauma desestructurante.

Como o que nos interessa aqui é o trauma desestructurante ferencziano, estamos portanto diante de uma clivagem do ego. A descrição ferencziana da identificação com o agressor propõe a imagem de uma invasão no ego da criança. O agressor usurpa o espaço egóico e toma posse deste lugar como se assumisse a fala da criança ou ocupasse seu espaço psíquico.

A paixão toma a palavra e separa-se da ternura, sem que qualquer contato entre elas seja possível, como se uma desconhecesse a existência da outra. Ambas se pretendem representantes legítimas do ego infantil e, para tal, se auto-reconhecem. Assim, o agressor nos textos de Ferenczi é o posseiro do ego, ignorando seu verdadeiro dono. A clivagem, nesse caso, consiste em uma separação em duas partes que não mantêm contato entre si.

O texto de Freud de 1938, "A clivagem do ego no processo de defesa", descreve a mesma formulação de Ferenczi. Em ambos os autores, o fato real invade a cena psíquica, obrigando-a a uma cisão total. A clivagem, decorrência da separação em instâncias, pressupõe uma dinâmica entre elas, uma função diferente para cada uma, de forma que a troca - o contato entre elas - seja não só necessária, mas contínua.

No caso da cisão provocada pela identificação com o agressor, nada disso é possível.

Vejamos essa questão através da identificação melancólica. Neste caso, o objeto da identificação parece ter uma função superegóica. Se transpusemos esse pressuposto para o trauma desestructurante, seria como se a criança tivesse precocemente, e às pressas, forjado uma emergência do aparato egóico, mas a incomunicabilidade entre o objeto de identificação e o ego incipiente da criança desqualifica totalmente, a função superegóica pretendida pelo objeto de identificação. Se o projeto era esse, certamente fracassou. O tom ditatorial, a voz de algoz usurpador do ego infantil, ou do objeto perdido do melancólico, parece soar como o discurso do superego, no sentido vulgar do termo, ou do que Freud chamou de “superego cruel.”

 

http://www.geocities.com/HotSprings/Villa/3170/otrauma.htm

 

 

Inicio          Indice                  

                

          

         

 
Buscar en toda la red

(c)Sandor Ferenczi Homepage es propiedad del Instituto de Desarrollo Psicológico Indepsi 1998-2010